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Autopeças sentirá impacto da crise em 2009, diz Sindipeças

Data: 2008-10-02

No início de 2009, os fabricantes de autopeças deverão sentir os primeiros impactos da crise financeira nos Estados Unidos. Para manter o crescimento e atender a estimativa de produção de quatro milhões de veículos no próximo ano - número que diante da crise pode ser revisto -, os investimentos deveriam crescer 2,2%, em relação a 2008, ano que registrará a marca de US$ 1,6 bilhão. Investimentos que, no entanto, ainda estão incertos. "A previsão para 2008 nós não iremos mudar, mas certamente haverá uma revisão para ano que vem", afirmou Paulo Butori, presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças). O setor, que deverá terminar 2008 com um faturamento de R$ 76,7 bilhões, 9,6% a mais do que em 2007, sofrerá impactos, principalmente pela diminuição de crédito no setor automotivo.

As financeiras brasileiras já diminuíram os prazos de pagamento. Para aquisição de veículos, o total de parcelas caiu de 72 para 60 meses.

Apesar de nenhum fabricante, de acordo com o Sindipeças, ter anunciado retardamento ou desistência de investimentos já anunciados, o "movimento é de cautela", afirmou Butori. Por isso mesmo, a projeção de crescimento do setor para 2009, que estava sendo estimada entre 8% e 10%, ainda está indefinida. "Mesmo com a votação do pacote nos Estados Unidos, haverá uma queda econômica em todo o mundo e isso afetará nosso o mercado", afirmou Butori.

O índice de exportação para o Estados Unidos deve cair ainda mais. O país que é, atualmente, destino de 18,29% das exportações brasileiras do setor, exportará, em 2008, 5,38% a menos do que em 2007. Por outro lado, as importações, que estão registrando elevação, irão contribuir para que a balança comercial do setor feche negativamente em US$ 1,464 bilhão.

Panorama

A fabricante de autopeças Fras-le, que integra o grupo Randon, registrou, em 2008, crescimento de 11% em relação a 2007. A empresa está no período para planejamento do próximo ano. "Em 2008 cumprimos o planejado, mas ainda é difícil fazer um prognóstico de como a crise pode afetar", afirma o diretor comercial da Fras-le, Rogério Ragazzon.

Cerca de 35% das autopeças produzidas - lideradas pelas lonas e pastilhas para freio - são destinadas para as montadoras. O restante, para reposição.

A companhia, nos sete primeiros meses do ano teve como receita líquida consolidada R$ 254,1 milhões ou 2,5% mais do que igual período de 2007.

Já o Grupo Delga, especializado em estamparia para o setor automotivo, sente-se "tranqüilo" em relação à crise, ainda mais por estar na última fase dos investimentos de R$ 40 milhões, que irá aumentar a capacidade produtiva da companhia. Hoje, a empresa está trabalhando com quase 90% de sua capacidade. Os investimentos permitirão que a empresa tenha mais folga, e passe a trabalhar com 65%.

"Nós crescemos em torno de 30% este ano, o que é bem acima do mercado, em função de nossos novos projetos. Para 2009 esperamos manter essa taxa de crescimento, mesmo em momento de crise", afirma Luiz Nogueira dos Santos, diretor financeiro corporativo do Grupo Delga. De acordo com o executivo, a carteira de pedidos assegura mais crescimento para 2009.

"Acho que ainda podemos ganhar mais mercado no próximo ano", salienta o executivo.

O diretor comercial da empresa, Wellington Toso, explica que o grupo tem analisado a turbulência dos mercados de forma atenta, e que a companhia tem mantido conversas com as montadoras. "Elas possuem pedidos de produção até abril de 2009 para manter o nível da demanda atual", afirma Toso.

O setor de autopeças prevê faturar este ano 9,6% a mais que em 2007, mas teme que a crise financeira mundial afete os investimentos para 2009, que deveriam crescer 2,2%, em relação a 2008, diz o Sindipeças.

Fonte: DCI
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