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Reforma tributária não pode ser interrompida por crise

Data: 2008-11-18

As discussões sobre a reforma tributária não podem ser interrompidas devido à crise mundial, pois esta é a principal medida para facilitar os negócios brasileiros. A avaliação foi feita ontem pelo presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, durante o 4º Congresso Paulista de Jovens Empreendedores, promovido pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) em parceria com a Gazeta Mercantil.

"Não podemos permitir que a crise atrase muito a aprovação da reforma tributária", disse, lembrando que os investimentos em infra-estrutura também podem ajudar a melhorar o ambiente para negócios. "Neste sentido há um compromisso claro do governo", afirmou o presidente do BC.

Meirelles destacou ainda que em meio à crise financeira mundial, o Brasil vai se dar melhor em relação a outros países. "Aqui pode haver uma retração da atividade econômica, mas não uma recessão, que é muito diferente", disse.

Segundo o presidente do BC, o desafio brasileiro está na capacidade de se manter diante da retração mundial. "Precisamos melhorar o ambiente de negócios no Brasil, que não é bom. No momento, a China precisa desenvolver o consumo interno, o que pode tornar o Brasil mais competitivo, desde que algumas iniciativas, como a reforma tributária, sejam realizadas".

Para Meirelles, o Brasil ainda vai acompanhar por algum tempo os efeitos da crise nos Estados Unidos. "Não é que o Brasil vai escapar da crise, mas ele entrou mais forte, enquanto os mais pessimistas dão conta de seis a oito trimestres ruins para a economia norte-americana", ressaltou. "O Brasil vai ter uma desaceleração no crescimento no ano que vem no crédito e, em consequência, na atividade geral, mas em ritmo menor que muitos países", disse.

CÂMBIO
As atuações do Banco Central no mercado de câmbio somaram US$46 bilhões desde meados de setembro até a última sexta-feira, informou Meirelles. Ele reiterou que o governo continua tomando as medidas necessárias para conter os efeitos da crise no País.

O presidente do BC afirmou que o objetivo das atuações do BC é fornecer liquidez ao mercado e disse que os negócios com Adiantamentos de Contratos de Câmbio (ACC) estão melhorando.

"A função do BC não é tentar controlar a taxa de câmbio, é prover liquidez em um momento de distorção de preços", disse. "O mercado de ACC está apresentando uma recuperação gradual."

Meirelles informou que foram usados US$30 bilhões em contratos de swap cambial, US$6,1 bilhões em vendas à vista (com impacto nas reservas internacionais do País), US$4,1 bilhões em leilões destinados a exportadores e US$5,8 bilhões em vendas com compromisso de recompra.

SAÍDA É EMPREENDER
No mesmo evento, empresários afirmaram que o empreendedorismo é a saída contra a crise. Segundo Daniel Mendez, presidente e sócio-fundador da Gran Sapore, e um dos palestrantes do congresso, "falar de empreendedorismo é uma proposta muito bem vinda no momento em que vivemos". Ele destacou que a geração mais nova, que não viveu momentos de crise anteriores, devem aprender a conviver com as dificuldades, e "aprender a fazer oportunidades, mesmo nas adversidades, tentando sempre pensar diferente e conseguir resultados inovadores, abrindo mercados e conquistando novas áreas".

Para Marcelo Cherto, presidente do Grupo Cherto, de consultoria em franchising, há uma nova mentalidade nos jovens empreendedores de hoje, que abrem negócios com perspectivas de retorno mais longas. "Estes empreendedores já entram no mercado com uma mentalidade de retorno de médio e longo prazos", destacou.

Fonte: Gazeta Mercantil
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